Em mais um episódio da série “10 dicas para não errar na escolha da tipografia” vamos abordar o princípio da repetição, ou pra quem gosta de um termo “mais design” a repetibilidade. Partindo do conceito já abortado aqui, a hierarquia, a repetição pode ser compreendida como a transferência do mesmo para as demais peças de um projeto gráfico ou como reforço da identidade dentro de uma campanha ou comunicação institucional, proporcionando uma continuidade visual por meio do reconhecimento da tipografia adotada.

Parece um pouco complexo, mas dividindo a repetição dentro de duas possibilidades principais, certamente, ficará fácil de compreender e aplicar esse princípio.

A repetição dentro de um projeto gráfico

Imagine uma publicação que a cada edição aborde uma nova família tipográfica ou tipos totalmente inéditos e sem relação entre si. Em um segundo momento, leve em consideração uma peça gráfica que, a cada página, introduza novas tipografia e hierarquias totalmente diferentes. Para o público em geral, tal prática é totalmente dissociativa, obrigando que a todo momento ele precise reinterpretar o código gráfico utilizado, adaptando toda sua compreensão e, provavelmente, deixando de lado o verdadeiro foco da publicação, o conteúdo.

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A repetição tipográfica é forte aliada em projetos gráficos de grande extensão como livro, pois permite que a hierarquia projetada pelo bom uso das fontes seja facilmente reconhecida, o que leva o leitor diretamente para o que é importante: o conteúdo.

“Os tipos bem empregados são invisíveis enquanto tipos, assim como o tom de voz ideal é o despercebido para a difusão das palavras e ideais”. Beatrice Warde – A taça de cristal, ou porque a tipografia deve ser invisível.

Trocando em miúdos, compreender a utilização da tipografia não é a capacidade de conhecer novos tipos e famílias e mostrar esse “entendimento” no uso de todas suas referências em uma tacada só. Compreender tipografia é criar sistemas passiveis de repetição, sem que se tornem enfadonhos, permitindo a repetibilidade quase infinita dessa equação tornando o design gráfico o que realmente é, ferramenta e suporte para o conteúdo.

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Além do reconhecimento pelo leitor dentro da publicação, a repetição feita com base em uma boa hierarquia torna o projeto reconhecido para seu público. Instintivamente, ao perceber o padrão nas tipografias os indivíduos percebem uma identidade gráfica entre publicações da mesma família.

A repetição dentro da comunicação institucional

É comum, na ânsia de criar o novo, trocarmos todas as famílias envolvidas em um projeto a cada nova peça – principalmente na publicidade. Mas, já imaginou como o princípio da repetição pode ajudar na fidelização da imagem gráfica de uma empresa?

A tipografia é reconhecida pelo nosso cérebro como um signo visual, assim como outros grafismos, portanto, deveríamos cuidar para que a mesma fosse repetida dentro de projetos que abordem o mesmo sistema imagético. Pense bem como seria mais fácil para o público alvo compreender o código visual organicamente, possibilitando seu foco na real importância da peça de comunicação, as informações sobre empresas produtos e serviços.

 

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A imposição da repetição tipográfica em campanhas publicitárias, por exemplo, facilita a associação dos produtos ao valores pretendidos, sem riscos de perdas na fechamento imagético das peças.

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Em algum momento você pode ser interrogado e até acusado de preguiçoso por insistir na repetição dentro de projetos ligados a mesma identidade simbólica. Podem até dizer que você está querendo facilitar o trabalho. Por favor, confirme essa indagação, afinal a verdadeira essência do design é facilitar. Facilitar a produção, reprodução e compreensão do conteúdo.

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O estúdio Plau Type & Design vai além ao colocar a tipografia e sua possibilidade de repetição como ferramenta de branding desenvolvidas por seus designers para serem utilizadas pelo cliente.

Ainda sobre essa abordagem deixo aqui o link para um excelente artigo do estúdio Plau Type & Design, onde defendem o uso da tipografia como ferramenta definitiva da manutenção da imagem dentro do branding. Vale ler e observar como eles foram a fundo na ideia de introduzir o princípio da repetição dentro dos projeto, evoluindo o mesmo como uma ferramenta diária para seus cliente.

Ah, e o que eu faço como todas aquelas “fonts free” que baixei da internet? Experimente, arrisque, mas deixei isso pra projetos embrionários ou estudo iniciais para futuros sistemas tipográficos. Antes porém, dê uma olhada nesse artigo aqui, afinal, essas fontes, podem não ser tão free assim.

Até a próxima! No artigo seguinte falaremos sobre legibilidade.

Lucaz Mathias
contato@estudiocao.com.br